No ensino fundamental, tinha um garoto no meu ônibus que sempre corria o mais rápido possível para casa, tropeçando.Nós ríamos dele todos os dias. Nós não sabíamos que ele corria porque ele queria ter certeza de que sua irmã não tinha se suicidado enquanto ele estava na escola.Um dia, ele faltou na escola. Uma semana depois, ele voltou. Ele tinha parado de correr.

Desconhecido. 

 
Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão, um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção. E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão, uma estrela de brilho raro, um disparo para um coração. A vida imita o vídeo, garotos inventam um novo inglês. Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez. Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter… Um dia me disseram quem eram os donos da situação, sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão. E tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum, como um dia depois do outro, como um dia, um dia comum. (…) Quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também. Quem duvida da vida tem culpa, quem evita a dúvida também tem… Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter.

Engenheiros do Hawaii.   

 
O problema com o mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, enquanto os estúpidos estão cheios de confiança.

Charles Bukowski

 
Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.

Rita Apoena. 

 
Eu não sei o que pensar. Você dá tantos indícios ao mesmo tempo em que se esconde embaixo das suas palavras. Eu já tentei decifrar suas atitudes, seus pensamentos, mas não você é instável, parece que não sabe se vai ou se fica. Eu sou do tipo de pessoa que não confia fácil, e por tudo o que já passei, eu preciso de certezas, pelo menos uma única certeza de que não é brincadeira, que não vai embora no primeiro problema, não vai abrir mão ou desistir. Porque estou cansada de ser o “tapa feridas” de alguém, e assim que sara é descartado, não quero que seja eu a ferida no final da historia.

Bianca Vieira.  

 
Tive um vizinho que gritava com a namorada ao telefone, sem se importar que o prédio inteiro ouvisse: “Não sei o que fazer! Fico mal contigo e fico mal sentigo!”. Sempre achei essa situação desoladora, e nem estou falando do português do sujeito. É duro ter apenas duas alternativas (ficar ou ir embora) e ambas serem terríveis.

Martha Medeiros. 

 
Na realidade, o valor e a preocupação constante que atribuímos à opinião alheia ultrapassam, em regra, quase todo o objetivo ponderado, de modo que ela pode ser vista como uma espécie de mania generalizada ou, antes, inata. Em tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, levamos em consideração a opinião alheia quase antes de qualquer outra coisa, e se fizermos uma análise precisa veremos que dessa preocupação nasce praticamente a metade de todas as aflições e de todos os temores sentidos por nós. Pois a opinião alheia é a origem de todo o nosso amor próprio – muitas vezes magoado por ter uma sensibilidade doentia –, de todas as nossas vaidades e pretensões, bem como de nosso fausto e de nossa presunção.

Arthur Schopenhauer. 

 
O gênio não pode indicar ou descrever cientificamente como ele realiza a sua criação. Como autor do produto ele não sabe como as ideias agiram nele e por igual não tem condições de transmitir aos demais quais foram as prescrições seguidas no exercício da sua habilidade. Se um cientista como Newton ainda poderia expor os passos por ele percorridos da Geometria até suas descobertas maiores, o mesmo não seria possível entre poetas como Homero e Wieland, impedidos de ‘indicar como suas ideias ricas de fantasia e densas de pensamento surgem e reúnem-se em sua cabeça’. Os engenhos da ciência podem ser transmitidos, mas o mesmo é impossível na arte poética e na estética.

Immanuel Kant. 

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